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Entrevista com Carla Cecília Nicino

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Conheça Carla Cecília Nicino, presidente da Associação Solidária Você também

- Como foi a ideia do início do projeto?

Não houve nenhum projeto e sim um olhar para aqueles que na pandemia ficaram abandonados e

com muita fome. Estava me desvinculando de uma Casa Espírita, na qual fazia um trabalho social

de rua, e com tempo livre resolvemos, eu e meu marido, Tenilson, distribuir marmitas uma vez por

mês. Com a pandemia, ele como médico continuou fazendo o seu trabalho e constatamos a

dificuldade que estas pessoas encontravam em em suas necessidades. Passamos a fazer a

distribuição do lanche, duas, três vezes por semana, mas a situação era desesperadora,

principalmente a fome. Não havia bares, restaurantes e outras atividades, o que agravou ainda

mais a situação.

- Depois da pandemia esta situação se manteve?

Após um ano de trabalho e com o final da pandemia, a dificuldade de receber doações aumentou

muito e surgiu a ideia de criarmos o nosso bazar, que se tornou nosso provedor, porque retiramos

as doações em condomínios, assim como amigos e familiares. Desta forma conseguimos atender

os moradores de rua, as famílias e fazer o nosso bazar.

- Além do atendimento aos moradores de rua qual foi o critério para escolher as famílias a serem

assistidas?

Temos atendimento a famílias em São Vicente e Cajamar. Essas famílias foram indicadas por

amigos que já trabalhavam junto delas. Fazíamos as arrecadações aqui em São Paulo,

colocávamos em nossos carros e com cuidados e intermediação dos líderes da comunidade

fazíamos a distribuição.

Atualmente fazemos também, além de atendimento a moradores de rua, dois asilos e assistência

às famílias através da Casa do Caminho, que em contrapartida nos auxilia na obtenção e

arrecadação de doações para o nosso bazar.

- Como estas doações são arrecadadas?

Nosso projeto tem três anos e há dois criamos o bazar. Nesse tempo começamos com o que

estava mais próximo de nós: o condomínio, vizinhos, amigos, que tendo conhecimento dos

nossos atendimentos nos forneceram e continuam fornecendo estas doações.

- Qual a periodicidade destes atendimentos?

Para o lanche dos moradores de rua é semanal às sextas-feiras, são 200 lanches destinados a

moradores de rua, que não estão no meio de outros grupos maiores e, estando isolados, não

recebem muitas doações. As regiões que eles estão são: Belém, Bresser e Brás. As famílias das

comunidades são assistidas conforme a necessidade. A cada mês, ou a cada dois meses, ou de

acordo com solicitação dos líderes das mesmas, ou conforme outros pedidos: roupa, objeto,

medicações, fralda, leite...

- Quais são os canais para contribuição?

Aceitamos doações em dinheiro pelo PIX 11995428380, o qual nos permite comprar algo mais

específico de acordo com a necessidade: cobertor, meia, lanche do centro da cidade.

Recebemos também objetos variados (cozinha, sala, etc.),cobertores e mantimentos.

Demais doações podem ser enviadas para o Centro Casa do Caminho – Rua Baltar 758 – Vila

Califórnia – SP ou para nossa sede na Rua Gama Cerqueira, 442 – Cambuci – todas as terças e

quintas-feiras das 9 às 16 horas.

Mais informações em www.vocetambem.org.br

- Como ser voluntário?

Sempre precisamos de voluntários, principalmente para os trabalhos de sexta-feira, por ser mais

difícil na rua, a noite, chuva. Seja como for, sempre estamos lá para oferecer o alimento, a roupa,

ouvir a pessoa, uma palavra de consolo. É um trabalho que exige muita dedicação. Apesar de

toda esta dificuldade, nós conseguimos fazer com que três pessoas buscassem ajuda e fossem

internadas, Estão se recuperando com sucesso, sendo que uma delas já está de alta junto da

família. Está feliz, inclusive o acompanho pelo Instagram. O gratificante é ver que, distribuindo

lanches, você consegue tirar alguém da rua e convencê-lo a ser novamente inserido na

sociedade. Tivemos também a participação de uma dentista que fez próteses e fez a diferença

para estas pessoas.

- Qual é sua mensagem para nos deixar?

O que realmente conta é a nossa capacidade de amar e aceitar as diferenças como um desafio.

Todo o trabalho, toda a doação, tem que ser feita com amor para que ela possa chegar até o

coração de quem realmente precisa. A distribuição de mil e duzentos lanches em si não é o mais

difícil. O que temos realmente que fazer é levar a cada irmão o lanche junto com o nosso afeto e o

carinho, sem julgamentos de qualquer natureza, seja por conta da dependência química ou

alcoólica. Cada um carrega sua própria história, geralmente uma dor que nós não conseguimos

mensurar. Então eu digo para os voluntários, venham trabalhar, vamos erguer aquelas almas

abatidas. E se ele chegou até o fundo do poço e está na rua é porque ele não encontrou uma mão

que lhe fosse estendida diante daquele sofrimento. Precisamos sempre de voluntários, que não

só nos ajudem a espalhar a fraternidade, mas doar o amor ao nosso próximo, que é um ser

humano tanto quanto nós. Ele merece todo o nosso respeito e consideração. Afinal de contas,

nós somos tão necessitados de ajuda tanto quanto aqueles que estão na rua por um pão.

Somente as nossas necessidades são diferentes. Ser voluntário é um ato de caridade e que nos

traz a felicidade quando compartilhamos esses sentimentos de solidariedade e fraternidade.

Mais uma vez queremos agradecer sua disposição em nos passar todas essas informações e

esclarecimentos desejando cada vez mais sucesso em suas atividades.